Estresse no Trabalho: um estudo com professores da rede pública estadual de Minas Gerais

Luciano Pereira Zille, Arthur Moraes Cremonezi

Resumo


O objetivo geral deste estudo buscou identificar o nível de estresse, os principais sintomas decorrentes e as principais fontes de tensão relacionadas ao trabalho dos professores que atuam em uma escola de nível fundamental e médio da rede pública estadual na cidade de Belo Horizonte/MG. A base teórica foi fundamentada em Zille (2005), tendo como referência estudos de Cooper et al. (1988, 2000), Karasek et al. (1998, 2000), Levi (2008) e Couto (1987). A pesquisa caracterizou-se quanto aos fins, como descritiva e quanto aos meios, como survey. Foram pesquisados, de forma censitária, 84 professores e, para a coleta dos dados, utilizou-se questionário estruturado, tendo como referência o Modelo Teórico de Explicação do Estresse Ocupacional, desenvolvido e validado por Zille (2005), adaptado para este estudo. Em termos de resultados, com base na análise univariada dos dados, identificou-se que 69,1% dos sujeitos apresentaram quadro de estresse. Em relação aos sintomas, os mais prevalentes foram a fadiga, a ansiedade, o nervosismo, a angústia e a dor nos músculos do pescoço e ombros. Com relação às fontes de tensão, observou-se que as mais significativas foram conviver com a indisciplina dos alunos e o baixo nível de remuneração percebida, levar a vida muito corrida em função do trabalho, trabalhar aos sábados, ter pouco tempo livre para as questões pessoais e realizar várias atividades ao mesmo tempo com alto nível de cobrança. Estas foram as principais causas que contribuíram para a alta incidência de estresse nos docentes pesquisados.

 


Palavras-chave


Estresse no trabalho; Professores; Escola pública estadual

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